quinta-feira, 27 de março de 2014

Poemetos de um "João Qualquer" para começar o fim de semana.


Apenas um poema insano.

 

NADA DE TRISTEZA.

NENHUMA EUFORIA NULA.

NEM POETA, NEM BÊBADO, NEM LOUCO.

APENAS AMIGO.

NÃO APENAS COMPANHEIRO, UM LOUCO,

 

SEM GRAÇA PARA AGRADECER AOS CÉUS,

SEM BOLSO PARA GUARDAR MEU TESOURO,

SEM PALAVRAS PARA JOGAR AO VENTO.

 

APENAS FELIZ.

NÃO APENAS DEGUSTANDO FELICIDADE,

NADA DE FELICIDADE EM DESPERDÍCIO,

NEM MOMENTOS DE EUFORIA E GRATIDÃO,

TALVEZ MOMENTANEAMENTE EMBRIAGADO,

QUEM SABE SONHADOR ENTUSIASTA.

PENSAR NOS AMIGOS ME FAZ CRESCER.

 

APENAS GRATO.

NÃO APENAS SABOREANDO GRATIDÃO,

QUERENDO TRADUZIR MINHA ALEGRIA,

COMPOR MINHA POESIA,

LANÇAR MINHA PAIXÃO.

 

NADA DE CONFLITO, NENHUM DELITO ANUNCIADO.

NEM SENSATO, NEM VICIADO, NEM COITADO.

APENAS UM AMIGO GRATO E FELIZ.

 

 

Tentei ser são.

 

A MAIOR COMPANHIA ME ERA O SILLÊNCIO...

O MAIS LONGO SORRISO ME BROTAVA DAS LÁGRIMAS.

QUANTO MAIS ME APERTAVA O PEITO,

MAIS EMUDECIAM MINHA BOCA E MINHAS PALAVRAS.

 

O MAIOR DESEJO ERA VER, DE NOVO, A PESSOA ALEGRE.

O MAIS BONITO OLHAR ME CEGAVAM OS OLHOS NEGROS.

QUANTO MAIS ME SANGRAVAM AS MÃOS,

MAIS FORTE SEGURAVA A MINHA CLAVA DA VIDA.

 

O MAIOR ENCONTRO ERA COM A INCERTEZA.

O MAIS PENETRANTE AMOR ME FUGIA DO CORAÇÃO.

QUANTO MAIS ALTO FALAVA MINHA VOZ,

MAIS MEUS OUVIDOS ENSURDECIAM.

 

A MAIOR LOUCURA ERA TENTAR SER NORMAL.

NO MAIS NEGRO MOMENTO, HAVIA O SORRISO.

QUANTO MAIS ME ENLOUQUECIA PELA VIDA,

MAIS ME ENTREGAVA À LOUCURA FATAL.

 

A MAIOR COMPANHEIRA AINDA ME ERA A CANÇÃO.

A MAIS COMPLETA CANÇÃO ME ENTOAVA CLARA,

QUANTO MAIS MEUS OUVIDOS A TRAGAVAM,

MAIS ME FLUÍA O SOM E A POESIA RARA.

 

 

 

 

 

Para remediar minha loucura.

 

 

PARA QUE AS TAÇAS NÃO ENTORNEM O VINHO,

É NECESSÁRIO DARMOS ASAS AO PASSARINHO,

É PRECISO QUE A NOITE SAIA DETRÁS DA LUA,

É CERTO QUE NÃO SOU SEU E NEM ÉS MINHA.

 

PARA QUE VIVAM OS LOUCOS MORADORES DA ESQUINA,

É NECESSARIO DARMOS NOSSAS CABEÇAS Á GUILHOTINA,

É PRECISO DESVENDARMOS OS MISTÉRIOS DA NOITE,

É CERTO QUE NÃO SOU EU QUEM LHE DÁ PÃO E AÇOITE.

 

PARA QUE OS MOINHOS VIVAM CHEIOS DE VENTO,

É NECESSARIO QUE SE IMPEÇA DE VIR O TORMENTO,

É PRECISO QUE VOCE ME FALE BAIXO AOS OUVIDOS,

É CERTO QUE DE VOCE NÃO DESCONFIO OU DUVIDO.

 

PARA QUE AS MOÇAS DA CIDADE NÃO SEJAM SANTAS,

OS MENINOS NÃO RESPEITEM NEM PAIS NEM MÃES,

OS PADRES NÃO SE ENTORPEÇAM DE VINHO NA MISSA,

AS FADAS FAÇAM SEU TRABALHO SEM PREGUIÇA.

 

É NECESSARIO QUE O PÃO PURO MATE NOSSA FOME

QUE MEU JOÃO FOSSE MAIS HOMEM, MENOS REI,

QUE ME FALASSEM SOBRE A ESTRELA QUE SOME,

QUE ME DESSEM CAFÉ, LEITE, PÃO, COMIDA E LEI,

 

É PRECISO QUE ME MATEM COM DURAS ARMAS,

QUE ME ESGOTEM A VIDA, O DESEJO E O KARMA,

QUE MEU OURO NÃO BRILHE MAIS QUE TUA LUZ,

QUE MEU SONHO SEJA UMA VERDADE QUE RELUZ.
 
João Carlos de Godoi

segunda-feira, 3 de março de 2014

Lindo...Da amiga de São João da Boa Vista.

Textos de Otávio Prado...para o seu deleite nesta segunda...

”Um menino sorri na neblina do amanhecer.
E diz que seus sonhos são poucos.
E os encontra de manhã; transformados em papel.
Entre a chatice e a magia de um dia embaçado.
E uma caminhada sozinho na noite. Passando pelas dificuldades de quem sorri e chora... “












Não sei se consegues me ouvir

Não sei se consegues me ouvir,
Ou se tão pouco ganhei seu sorriso.
Apenas saiba meu bem,
Que seu semblante suave,
Jamais fora por mim esquecido. 

Agora onde está amor?
Porque ‘inda insistes em tão lamentável fim?
Que tipo de monstro banalizou assim sua dor...?
Que tipo de homem te deixou assim?

Pois é um estúpido é este infeliz!
Que abre mão de tão sincero sentimento
De tão presente companhia,
De tão cadente coração...

Este degenerado homem
Que apesar de tão amado
Afia e dedica cada sílada ao seu sofrimento
Ora tão ferido... Ora tão depredado...

Como pode um dito ser honrado
Torturando assim friamente tão delicados lábios?

Sim, sei que sua escolha já está feita
Que sua decisão já está tomada.
Mas apenas se lembre meu bem...
De quem sacrificou o próprio amor por sua felicidade.
Que ansiou sempre e tanto por seu bem estar,
E nunca cobrou nada além de sua amizade.
Luiz Prado








Dolci Ricordi (Doce recordação).


Aqui estou eu de novo, na sala de aula do período noturno no segundo horário.
Mal começou a aula, mal começou a noite, mal começou a semana e eu já me sinto cansado. Sento-me próximo à janela, e às vezes me perco na paisagem e na brisa fria que vem do bosque do Ypê.
No bosque, existe uma ponte feita inteiramente de madeira, construída em um modelo rústico, porém simples e bem trabalhada.
Ela corta o ribeirão Borá, escondida na mata, liga uma margem à outra e separa uma rua com ciclovia de um espaço de habitação.
Olho para as árvores e recordo uma paisagem curta de um passado breve, quando a vida não passava de um sonho, a juventude era só uma brincadeira e a noite apenas uma criança.
Recordo de uma época em que aquela ponte era minha testemunha muda! Minha companheira sombria e fria das noites de amor, de depressão e de boemia.
Quantas das minhas excêntricas experiências de vida ela foi capaz de testemunhar... Quantas vezes meu corpo pesado, dolorido e cansado ela já teve de sustentar sobre suas toras rígidas e desbotadas... Quantos pecados já cometi por sobre seu dorso triste e rabiscado... Quantos prazeres... Quantos sofrimentos... Quanta vez escondeu-me em seu ventre para ter um minuto de paz, e refletir sobre minhas lembranças e meus arrependimentos... Aquele lugar emana magia, saudade e nostalgia.