segunda-feira, 3 de março de 2014

Textos de Otávio Prado...para o seu deleite nesta segunda...

”Um menino sorri na neblina do amanhecer.
E diz que seus sonhos são poucos.
E os encontra de manhã; transformados em papel.
Entre a chatice e a magia de um dia embaçado.
E uma caminhada sozinho na noite. Passando pelas dificuldades de quem sorri e chora... “












Não sei se consegues me ouvir

Não sei se consegues me ouvir,
Ou se tão pouco ganhei seu sorriso.
Apenas saiba meu bem,
Que seu semblante suave,
Jamais fora por mim esquecido. 

Agora onde está amor?
Porque ‘inda insistes em tão lamentável fim?
Que tipo de monstro banalizou assim sua dor...?
Que tipo de homem te deixou assim?

Pois é um estúpido é este infeliz!
Que abre mão de tão sincero sentimento
De tão presente companhia,
De tão cadente coração...

Este degenerado homem
Que apesar de tão amado
Afia e dedica cada sílada ao seu sofrimento
Ora tão ferido... Ora tão depredado...

Como pode um dito ser honrado
Torturando assim friamente tão delicados lábios?

Sim, sei que sua escolha já está feita
Que sua decisão já está tomada.
Mas apenas se lembre meu bem...
De quem sacrificou o próprio amor por sua felicidade.
Que ansiou sempre e tanto por seu bem estar,
E nunca cobrou nada além de sua amizade.
Luiz Prado








Dolci Ricordi (Doce recordação).


Aqui estou eu de novo, na sala de aula do período noturno no segundo horário.
Mal começou a aula, mal começou a noite, mal começou a semana e eu já me sinto cansado. Sento-me próximo à janela, e às vezes me perco na paisagem e na brisa fria que vem do bosque do Ypê.
No bosque, existe uma ponte feita inteiramente de madeira, construída em um modelo rústico, porém simples e bem trabalhada.
Ela corta o ribeirão Borá, escondida na mata, liga uma margem à outra e separa uma rua com ciclovia de um espaço de habitação.
Olho para as árvores e recordo uma paisagem curta de um passado breve, quando a vida não passava de um sonho, a juventude era só uma brincadeira e a noite apenas uma criança.
Recordo de uma época em que aquela ponte era minha testemunha muda! Minha companheira sombria e fria das noites de amor, de depressão e de boemia.
Quantas das minhas excêntricas experiências de vida ela foi capaz de testemunhar... Quantas vezes meu corpo pesado, dolorido e cansado ela já teve de sustentar sobre suas toras rígidas e desbotadas... Quantos pecados já cometi por sobre seu dorso triste e rabiscado... Quantos prazeres... Quantos sofrimentos... Quanta vez escondeu-me em seu ventre para ter um minuto de paz, e refletir sobre minhas lembranças e meus arrependimentos... Aquele lugar emana magia, saudade e nostalgia.




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