Ofício místico (Para
Setth).
O flerte com o livre arbítrio
Livre e telúrico; copula com heróicos
em decassílabos.
Num encontro profícuo
Menos aurífero do que pífio. Mas...
Honre Setth. Anjo, diabo, desdonzela,
mito.
Onde a magia afoita tornou-o
universal.
Frio, prosaico.
Pura neve profana.
Enquanto outros credos reacionários
E estóicos, tentam fada-lo ao
anonimato.
Pois eis a forma: O prolixo abismo.
E depois cessa-se tudo.
O verso no avesso.
Na face ou no espelho.
Cala-se a brisa interna.
Na poça do resto.
E na fonte de absinto.
E centra-se mais matéria
Nalgum espírito onírico.
Deixar elísio
Nutrindo o ofício místico.
De num desperdício, desnutrir.
A nudez dos fantasmas
Que te inspiram princípios.
Num vôo sem asas.
Heras.
Há
o seu nome que grito para o alto.
Há
os seus cabelos que eram longos.
E
há o seu cheiro.
Seu
sexo cheira a narcisos
Seu
sorriso? Um par perfeito.
Seus
olhos? De um verde sem fim.
Me
lembro das noites mal dormidas
Onde
acariciava-me.
E
olhava-me com suas
Sobrancelhas
de louca.
Você
foi meu príncipe encantado.
Princesa
na torre.
Em
noites mal dormidas.
Ou
seja lá o que for.
E
quando chegas, sinto o cheiro de narcisos.
Há
...E a há o teu beijo.
Brilho
desejável de seu lábio.
Não
há nada que possa fazer.
Há
muito tempo!
Ele
havia sido criado para mim.
Um
leve tocar do piano de Herbie Hancock
Um
cigarro e um livro de Doris Lessing
E
o gosto por tudo o que me era
Importante.
Tinha
lhe ensinado o sabor
De
São Paulo e suas ruas turbulentas.
Que
havia posto um naco de mim em seu corpo.
Uma
pequena baba de minha saliva
No
anguloso contorno de suas costas.
O
prazer não é apenas um raio de sol
No
emaranhado de nuvens
Em
meio à chuva rala.
Não
há o que eu possa fazer.
Há
muito tempo não há.
Nem
lembrar por um desencanto
No
escarlate que emana do
Brilho
desejável de seu lábio.
Ou
no peso de seu corpo
Que
tens aberto todos os poros,
Olhos
e concavidades
Cavadas
pela mão
Em
uma planície branca.
Tão
certo como há
Muito
tempo não há.
Como
a certeza de que o mundo
É
redondo.
Ou
que a maré é salgada.
Ou
que é possível ter bem claro
O
fino silencio que faz o dia.


























