Transcendência
de valores – Ame a vida!
Dissecar
a anatomia da filosofia de Nietzsche não é uma abordagem precisa, nem objetiva.
Sua filosofia com a linguagem metafórica induz a uma compreensão ambígua e
muito subjetiva de sua filosofia. O filósofo dos múltiplos... Sua intenção
nunca foi explorar a metafísica. Uma abstração irrelevante. Ele se voltou a
abordar uma questão mais essencial: O significado da existência. Possui esse
mundo um propósito? Um significado? Como lhe dar com a implacável existência?
Existe um método? Despertar a curiosidade para essa incógnita é o primeiro
passo para envolver na intensa narrativa de Nietzsche que é fundamentalmente
ofensiva e contundente em suas críticas. “Uma filosofia para todos e para
ninguém”. O ônus dessa frase é mais uma advertência: Suas dúvidas permeiam
aspectos profundos, ousados e arrebatadores da existência; questões que
permeiam aspectos profundos, ousados e arrebatadores da existência as quais
permanecem mudas... proibidas, e a própria intenção de refletir sobre elas era
imoral. Uma heresia! Daí a confusão. “Sou o primeiro imoralista”. Se você tem
coragem e ousadia. Transcenderá! Se for fraco despedaçará! De uma visão
niilista, “Com ardor sempre crescente, a humanidade nada mais faz que abraçar
as nuvens”. Conclui por chamar Deus seu desespero e sua impotência. Eis a
origem do niilismo! O que se compreende, é que a humanidade psicologicamente
fraca, negou a si mesma a oportunidade de se sobrepujar, de criar novos
valores, de abandonar conceitos antigos. É de onde provém o sofrimento, e o
mergulho no niilismo, que nada mais é do que a capacidade inapta de criar novos
valores que correspondem a essa realidade. Niilismo é a óptica da existência
vazia, isenta de significado. A ideia de sobrenatural foi bastante criticada
por Nietsche também, que de acordo com ele; tinha conotação de antinatural, e
consequentemente de desvalorização do natural. Tudo aquilo que tentava
sobrepor-se a este mundo tinha uma intenção implícita de rejeitar este mesmo
mundo. Nietzsche conseguinte afirmava o natural, uma expressão que remete aos
pagãos pré-socráticos, os gregos, e a tragédia. O naturalismo – Nesse sentido
Nietzsche não foi um filósofo pessimista, nem avassalador como se entende. Esta
mais para o esperançoso e otimista. Ele afirmava a vida, em toda a
instância! Então começa a construir o alicerce de sua filosofia. Primeiramente
nega um plano alternativo abstrato. Um além-túmulo que em sua perspectiva é uma
calúnia a esse mundo. Quando se idealiza um mundo perfeito o fazemos em
detrimento deste; que é imperfeito, trágico, e consequentemente inspira-se o
desdém, a insatisfação, a ingratidão opõe-se a esse mundo. O que para Nietzsche
é perverso; é decadente.
A vida
trágica! Isso os gregos entenderam melhor que qualquer um de seus
contemporâneos, e é isso que o autor visa resgatar: A ruptura com o idealismo,
que em suas palavras “O idealismo é incorruptível, se condenado em seu céu,
idealiza seu inferno”. Esta ideia
fantasiosa e utópica para o autor também é perniciosa. O indivíduo idealista
vive em constante angústia e expectativa. É somente outra forma de niilismo, em
vez de transferir a responsabilidade a um Deus. Transmite-a para o futuro.
Nietzsche propõe recuperar essa responsabilidade, e lhe dar como presente o
enfrentamento de cada obstáculo, cada desafio. Somente assim nos tornaremos
Super Homem. Essa é a transcendência dos valores impostos por uma sociedade
conturbada pela mesquinhez, envenenada pela hipocrisia. O autor deseja fazer
uma ruptura com essa sociedade degenerada, e sua filosofia mais do que qualquer
época se aplica a condição da sociedade moderna. Ele prefere olhar a vida com
cinismo e inocência. Como diz: Sua obra é para os homens do futuro, e ele
parece ter acertado, pois atualmente suas obras são extremamente consumidas por
estudiosos e leitores afins mundo afora.
A importância
desse filósofo em um mundo onde nos tornamos marionetes do estado, da religião,
onde tudo se vende ao estilo de vida alienado. Faço aqui, mais uma ressalva de
uma de suas frases.
“Um político divide os seres humanos
em duas classes: Instrumentos e inimigos”. Para ler seu
novo testamento seria conveniente calçar luvas, diante de tanta sujeira.
Para se libertar o homem precisa criar seus próprios valores, o que se torna
relativamente difícil, e por isso temos tantos se sucumbindo no niilismo...
Para Nietzsche o mundo não tem sentido, mas não significa que não tenha valor.
Quando perdemos o valor da existência, perde-se sua elegância! Então crie seus
valores, mas que estes sejam contextuais a este mundo! “É preciso ter o caos
dentro de si para dar à luz a estrela bailarina”.
Diego
“Ozymandias”.
Estudante
de psicologia, Neo-Nietzschiano, errepegista e baterista da Banda DELTA9
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