segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Filosofia e o pensamento de Nietzsche

Transcendência de valores – Ame a vida!

            Dissecar a anatomia da filosofia de Nietzsche não é uma abordagem precisa, nem objetiva. Sua filosofia com a linguagem metafórica induz a uma compreensão ambígua e muito subjetiva de sua filosofia. O filósofo dos múltiplos... Sua intenção nunca foi explorar a metafísica. Uma abstração irrelevante. Ele se voltou a abordar uma questão mais essencial: O significado da existência. Possui esse mundo um propósito? Um significado? Como lhe dar com a implacável existência? Existe um método? Despertar a curiosidade para essa incógnita é o primeiro passo para envolver na intensa narrativa de Nietzsche que é fundamentalmente ofensiva e contundente em suas críticas. “Uma filosofia para todos e para ninguém”. O ônus dessa frase é mais uma advertência: Suas dúvidas permeiam aspectos profundos, ousados e arrebatadores da existência; questões que permeiam aspectos profundos, ousados e arrebatadores da existência as quais permanecem mudas... proibidas, e a própria intenção de refletir sobre elas era imoral. Uma heresia! Daí a confusão. “Sou o primeiro imoralista”. Se você tem coragem e ousadia. Transcenderá! Se for fraco despedaçará! De uma visão niilista, “Com ardor sempre crescente, a humanidade nada mais faz que abraçar as nuvens”. Conclui por chamar Deus seu desespero e sua impotência. Eis a origem do niilismo! O que se compreende, é que a humanidade psicologicamente fraca, negou a si mesma a oportunidade de se sobrepujar, de criar novos valores, de abandonar conceitos antigos. É de onde provém o sofrimento, e o mergulho no niilismo, que nada mais é do que a capacidade inapta de criar novos valores que correspondem a essa realidade. Niilismo é a óptica da existência vazia, isenta de significado. A ideia de sobrenatural foi bastante criticada por Nietsche também, que de acordo com ele; tinha conotação de antinatural, e consequentemente de desvalorização do natural. Tudo aquilo que tentava sobrepor-se a este mundo tinha uma intenção implícita de rejeitar este mesmo mundo. Nietzsche conseguinte afirmava o natural, uma expressão que remete aos pagãos pré-socráticos, os gregos, e a tragédia. O naturalismo – Nesse sentido Nietzsche não foi um filósofo pessimista, nem avassalador como se entende. Esta mais para o esperançoso  e  otimista. Ele afirmava a vida, em toda a instância! Então começa a construir o alicerce de sua filosofia. Primeiramente nega um plano alternativo abstrato. Um além-túmulo que em sua perspectiva é uma calúnia a esse mundo. Quando se idealiza um mundo perfeito o fazemos em detrimento deste; que é imperfeito, trágico, e consequentemente inspira-se o desdém, a insatisfação, a ingratidão opõe-se a esse mundo. O que para Nietzsche é perverso; é decadente.
A vida trágica! Isso os gregos entenderam melhor que qualquer um de seus contemporâneos, e é isso que o autor visa resgatar: A ruptura com o idealismo, que em suas palavras “O idealismo é incorruptível, se condenado em seu céu, idealiza seu inferno”.   Esta ideia fantasiosa e utópica para o autor também é perniciosa. O indivíduo idealista vive em constante angústia e expectativa. É somente outra forma de niilismo, em vez de transferir a responsabilidade a um Deus. Transmite-a para o futuro. Nietzsche propõe recuperar essa responsabilidade, e lhe dar como presente o enfrentamento de cada obstáculo, cada desafio. Somente assim nos tornaremos Super Homem. Essa é a transcendência dos valores impostos por uma sociedade conturbada pela mesquinhez, envenenada pela hipocrisia. O autor deseja fazer uma ruptura com essa sociedade degenerada, e sua filosofia mais do que qualquer época se aplica a condição da sociedade moderna. Ele prefere olhar a vida com cinismo e inocência. Como diz: Sua obra é para os homens do futuro, e ele parece ter acertado, pois atualmente suas obras são extremamente consumidas por estudiosos e leitores afins mundo afora.
A importância desse filósofo em um mundo onde nos tornamos marionetes do estado, da religião, onde tudo se vende ao estilo de vida alienado. Faço aqui, mais uma ressalva de uma de suas frases.
“Um político divide os seres humanos em duas classes: Instrumentos e inimigos”. Para ler  seu  novo testamento seria conveniente calçar luvas, diante de tanta sujeira. Para se libertar o homem precisa criar seus próprios valores, o que se torna relativamente difícil, e por isso temos tantos se sucumbindo no niilismo... Para Nietzsche o mundo não tem sentido, mas não significa que não tenha valor. Quando perdemos o valor da existência, perde-se sua elegância! Então crie seus valores, mas que estes sejam contextuais a este mundo! “É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz a estrela bailarina”.

Diego “Ozymandias”.

Estudante de psicologia, Neo-Nietzschiano, errepegista e baterista da Banda DELTA9 

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