terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Um pouco de poesia marginal na tarde chuvosa de terça-feira.

Mulher de bandido


Mariposas em Copacabana
Maresia no vidro dos automóveis
Pivetes na avenida & armadilhas nas estradas


A cuíca ouriça o meu corpo
O apito é mais que um grito
Porrada é uma palavra bonita, aliás,
Bonita pra caralho, que é o melhor dos adjetivos


Eu sinto medo quando pressinto o perigo
Sinto a falsidade na voz do político
E a maldade nos olhos da freira

Sinto malícia na lesa do pivete
Na passada de mão
Na contravenção


Sinto uma vontade louca de gritar no elevador
De correr pelos corredores
De abrir todas as portas

Sinto a certeza do santo
Na mágica do milagre
O sangue correndo nas veias

Sinto a tonteira da cachaça
Nas voltas da cabeça
E sinto não rodar mais

Rodar rodar rodar
Rodar e perder o eixo
Rodar e ainda ter peito de rodar mais

Às vezes quero sonhar e sonho
Às vezes quero um homem e ganho
Às vezes quero dinheiro e faço
Às vezes quero nobreza e minto
Às vezes eu quero e não quero

Mas o que eu quero de um bandido
Não é só o dinheiro
É a vontade de lutar

Bernardo Vilhena

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